segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

malas chegaram!!!

Depois de uma semana com a roupa do corpo, minhas malas finalmente chegaram. Primeiro a menor delas, ontem a outra.
A maior chegou bem estragada e vou ter que me entender com a companhia aérea. Fim da novela. O domingo foi mais um dia de praia, passado à sombra e comendo os maiores camarões do mundo. Aqui, um biquini brasileiro seria uma ameaça à segurança nacional. Vesti uma bermuda de um colega, que enrolei na cintura e nas pernas, para não ficar muito assustadora. dobrei a camiseta na barriga pra diminuir o calor. Acho que fiquei parecendo uma retirante. Sei é que resolvi dar uma caminhada e voltei 200m depois, porque um grupo de locais ficou me corujando de um jeito que intimidou.



Mais treinamentos ontem: como lidar com stress e como fazer em caso de evacuação. Aqui todos nos dizem para ficarmos espertos porque, pode parecer que tudo está bem e, de repente, uma fagulha incendeia o país. Não é pra esquecer que estamos em situação pós-conflito e vamos ter eleições, algo que acirra bem os ânimos. No final da semana quevem, iremos pra o interior. Os locais serão definidos depois de uma entrevista. Seremos dois UNV para cada local, vamos divir a residência e o carro. Tomara que eu fique com uma pessoa bem legal. Prefiro ficar num lugar onde a gente possa trabalhar junto com as outras operações da ONU aqui. Afinal é uma missão integrada.
Pela primeira vez, vou incluir umas fotos que tirei na rua, no caminho do HQ da Missão pro hotel. Tem paisagens bem melhores, especialmente na praia.
tentei postas umas fotos da cidade, pra vocês verem a reconstrução e a pobreza e ninguém pensar que vim pra festa, mas a internet aqui só presta de madrugada - e que ninguém pense que dá pra fazer videoconferência, porque não dá mesmo. As outras fotos ficam pra depois.

sábado, 28 de janeiro de 2012

sabadão no Timor

Hoje acordei às 4 da manhã, simplesmente porque perdi o sono. Aproveitei pra me comunicar com o Brasil, troquei mensagens com Bié e Ana Euler, escrevi para  Adriana e papai pedindo ajuda com as malas. Depois fui pro aeroporto porque tinha uma mala chegando lá e não sabiam informar se era a minha ou do David, meu companheiro de viagem e infortunio. Era uma das minhas!!! A menor delas, mas deu um enorme alivio.

Depois fomos ao nosso treinamento de direção: depois de mais de vinte anos de carteira de motorista no Brasil, tive que reaprender a dirigir, porque aqui é à inglesa, do lado direito. Pra piorar, uma Toyota Hilux, duas vezes maior que meu Uno. Maior que a mioria das ruas daqui também... dirigir aqui é um exercício de paciência:  a gente vai a 30km, buzinando pro povo sair da frente, no meio da rua, salva-se quem pode e avança quem mete a cara.  Bem selvagem mesmo. Isso tudo num calor igual ao de Manaus, forte e úmido, com a gente derretendo, suada e grudada por baixo da roupa que tem que cobrir tudo, só pensando em tomar banho. Aqui na capital dá ao menos pra usar regata, mas no interior vou ter que ficar abafada mesmo.

Depois, aproveitamos para dar uma volta na cidade e almoçamos à beira mar. Em seguida, fomos encontrar os outros colegas da ONU na praia. Meus biquinis estão na mala grande, que ainda não chegou. As portuguesas usaram biquini na praia mas, comparados aos brasileiros, são pára-quedas! Me disseram que biquini brasileiro aqui vai ser uma ameaça à segurança... Será? Nem que eu tivesse o corpo da Claudia Raia! Ainda mais sem malhar, acho melhor andar bem coberta mesmo. O que estava exposto ao sol torrou na meia hora em que fiquei no mormaço. Vão longe os meus dias de rata de praia em Boa Viagem...

Fui ao supermercado tentar trocar umas coisas e comprar umas comidinhas pra deixar no quarto do hotel. O pilantra do chinês não troca e ainda diz, descarado: this is Timor! Não, não é o Timor, o povo daqui é muito simpático, prestativo, sorridente. É só um chinês bandido que veio pra cá tirar vantagem. O supermercado aqui de super não tem nada, pouquissima oferta e tudo caro, porque vem da Indonésia ou Austrália. Fazer compra aqui é uma tristeza, não dá vontade de levar nada...








quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

com a roupa do corpo

Eu demorei a postar essa noticia para não deixar minha familia preocupada, mas agora, não dá mais: estou com a roupa do corpo desde que saí do Brasil porque a TAM foi incapaz de mandar minhas malas junto comigo ou de fazê-las chegar aqui até agora!

Primeiro me mandam um email dizendo que a bagagem ficou em Buenos Aires e foi devolvida ao Brasil. Depois mandam outro dizendo que mandaram minha mala pro Timor, com os dados de todos os voos por onde ela viria. Chego ao aeroporto e...cadê? as malas não chegaram! E eu aqui, com um unico jeans e um sapato, duas camisetas e mais nada. Estão naquelas malas seis meses de lentes de contato e todas as roupas  e sapatos que mais uso, e que levei anos para comprar... Aqui não há o que comprar, estou num dos países mais pobres do mundo!

Ainda bem que Deus é tão bom pra mim que põe gente boa no meu caminho: os colegas daqui estão fazendo o impossivel para minimizar meu desconforto e uma colega chegou mesmo a me emprestar umas roupas. Claro que isso não vai dar para os seis meses mas, é o que as pessoas podem fazer por mim e eu, tocada, agradeço. O pessoal da UNV ofereceu me mandar pra Darwin na Austrália, para fazer compras mas, não tenho como recompor todo o 'acervo' que trouxe para cá em dólares australianos, menos ainda neste momento.  Mandei um emal zangado, mas fica ainda mais fácil ignorarem a gente a milhares de km de distância. Se eu quiser processar a companhia,  vou ter que esperar voltar para o Brasil... Não tem dinheiro que pague tamanho perrengue.

No mais, as atividades aqui progridem, estamos em preparo para assumir a missão no interior do país. Se até irmos as minhas malas não tiverem aparecido, não me restará opção a não ser dá-las como perdidas, pois vou ter acesso restrito à internet e bastante dificuldades de comunicação com o mundo exterior. Só de pensar, me dá vontade de chorar - de novo! Aqui vão fotos, primeiro com  Sheila e  Ricardo, depois com eles e mais Davi e Kazumi, uma garota japonesa muito legal. É a Sheila quem está me salvando, emprestando as roupas dela.




segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

cheguei!!!!

Cheguei aqui ontem, às sete da manhã (hora local). Viemos para o hotel, um pousada bem simples, na cidade de Dili. A cidade é bem bonitinha, tem vias bem cuidadas e jardins lindos, pouca favela. não se vê nada que lembre guerra.Quando se busca qualquer serviço, porém, a gente logo vê onde está. E tem a questão da segurança, mulher não anda sozinha, nem pra ir na loja de conveniência dali a três quarteirões. Apesar de português ser uma das linguas oficiais, a maioria da população fala tetum mesmo.

Já começamos o treinamento para o trabalho, que vai durar duas semanas aqui em Dili mesmo. Depois é que vamos para o posto de trabalho final, nos distritos.Lá é que vai ser mais dificil, porque a infraestrutura é pouca ou nenuma. Vamos torcer para eu não pegar um dos mais destituídos. Aqui se dirige do lado direito da via, como na Inglaterra e vai ter um carro da UNV  para cada duas pessoas, ou seja vamos ter que reaprender a dirigir em tempo recorde!

A internent está muito lenta agora, posto as fotos mais tarde...


domingo, 22 de janeiro de 2012

Em Darwin, Austrália

Que viagem looooooonga! Saí do Rio para Buenos Aires no manhã de sábado e lá peguei o voo para Sidney. Foram 14 horas num avião entupido de gente, condenada à imobilidade, dormindo de cansaço porque, de outro jeito não dá. Cheguei a Sidney no começo da noite, achando que era o dia amanhecendo, de tão desorientada. Nem vi a cidade, pois o tempo de conexão foi curto para pegar o voo pra Darwin, de onde saio cedinho na manhã da segunda, 23 para finalmente chegar ao Timor!

Nem vi a Austrália, mas os aeroportos são bons: o daqui de Darwin é bem pequenininho, mas tem chuveiros (voltei a ser gente!), poltronas confortáveis onde dá pra tirar uma soneca, câmbio, restaurante 24h e internet grátis. Tem dois hoteis do outro lado da rua, para onde não fui porque o tempo de espera não compensa a despesa. Claro que vou querer conhecer este lugar melhor, quando for possivel.Quero chegar logo e me instalar, não vejo a hora!!
Aqui estou eu, com meu companheiro de jornada e de trabalho, o David Marques, que também vai pro Timor, que e conheci no Rio. Ainda bem que não dá pra ver bem, a minha cara está mais pisada que qualquer coisa!




sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Problemas!!

Atrasamo dois dias porque precisamos que a ONU comunique a nossa passagem pela Austrália às autoridades deste país e isso ainda não tinha ocorrido. Mais ansiedade, mais cansaço. Aqui estou eu, no aeroporto do Galeão, no Rio, onde vou passar a noite para embarcar de manhã rumo a Buenos Aires.
O principal destino turistico da sexta economia do mundo tem um aeroporto internacional que está mais pra uma rodoviária de quinta: restaurantes que fecham às dez e meia da noite, um único hotel que cobra quatrocentos reais um pernoite (de 5 horas, no meu caso) e nenhuma alternativa por perto. Lounge, um serviço do aeroporto onde o turista tira uma soneca e toma um banho é algo de que nunca se ouviu falar por aqui. Não se paga táxi com cartão de crédito. Ninguém sabe dar uma informação que preste, apesar do colete da Infraero com a frase 'posso ajudar?" NÃO, NÃO PODE, PORQUE NÃO TEM PREPARO!  Pior que a destituição de serviços é a pobreza de espírito: vá reclamar que te mandam falar com a Presidente e te deixam indagando porque não com o bispo ou o papa? Aqui é uma bosta? Saiba que tem coisa pior no mundo!!! Pra que olhar pra frente ou pra cima, se a gente pode se comparar com o que tem de pior e achar que está bem pra caramba? Ninguém 'tem culpa' (como se a questão fosse essa!) de nada, mas ninguém sabe de nada além do próprio focinho.

Tudo isso só reforça a minha convicção de que vamos sim, fazer a Copa mais esculhambada da história. Haja samba no pé e simpatia, haja jeitinho, pra distrair o viajante de tanta incompetência e amadorismo. Não é de estranhar que o Brasil receba por ano o mesmo número de turistas que visitam... o Coliseu, em Roma! É isso aí: a sexta economia do mundo tem 8 mil km de praias, a maior floresta tropical do planeta, uma das maiores áreas úmidas, uma festa nacional que pára o País e é famosa no mundo inteiro, mas recebe o mesmo numero de turistas que um único monumento italiano!
Até quando vamos usar o ufanismo nacionalista babaca pra negar o subdesenvolvimento brasileiro?

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

A jornada vai começar

Foi tanta coisa pra fazer que não deu pra postar nada esses dias! Concluí e entreguei minha monografia, fiz orçamentos de mudanças e depósitos, cancelei telefone e tv, notifiquei a proprietária do apartamento, paguei contas mil... Mamãe e Adriana chegaram na quinta e foram no domingo de manhã. Vieram me ver e me ajudar, passaram o primeiro dia de cartório a banco, mas depois puderam curtir a cidade. Sempre que se vão me deixam um vazio imenso!!

Ontem foi a mudança. Cinco caras dentro de casa, embalando tudo o que viram pela frente. Chegamos na casa da Shirley, como uma invasão alienígena, ocupando todo o espaço com um mundo de caixas que precisaram ser reorganizadas e reduzidas.  Só uma irmã como ela pra topar uma invasão dessas. E ainda me hospedou e vai me levar no aeroporto às 3:30 da madrugada! Isso é que é amiga, graças a Deus! A vida me deu uma família maravilhosa, além de alguns irmãs e irmãos, que sempre estão comigo, em presença ou no coração.

O roteiro é Brasília - Rio - Buenos Aires - Sidney, Darwin - Dili. Escrevo mais do aeroporto do Rio. Timor Leste, aqui vou eu!

 

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Não vou pro fim do mundo não!!!

O Google Earth é, sem dúvida, uma maravilha do mundo moderno! Com ele a gente viaja sem sair do lugar. Fui dar um passeio virtual pelo Timor Leste, pra ter uma idéia do que vou encontrar - já estou encantada: praias deslumbrantes, com águas transparentes, convidam ao mergulho. Vou reciclar o curso de mergulho que fiz em Noronha. As cidades são pequenas mas arborizadas e 'arrumadas'.
As casas tipicas são lindinhas e até o Presidente mora em uma! O Primeiro Ministro é um poeta, expoente da literatura timorense e lusófona.
O que tem de 'favela' são os acampamentos de refugiados, deslocados pela guerra que terminou com a independência, em 2002. Pra gente ver como a população civil sofre num conflito; anos depois ainda tem muita gente que não tem casa pra onde voltar, nem trabalho pra ganhar a vida, além de muitas crianças órfãs... Qual a grande cidade brasileira que não tem favela? Só Brasilia, porque exclui os pobres da cidade e do DF, cujo Entorno miserável e violento em nada lembra o Plano Piloto, rico e bonito, organizado e verde.
Pra quem cresceu em Recife, numa época em que a praia de Boa Viagem não tinha uma fração dos gigantescos edifícios atuais, e conheceu Porto de Galinhas, Serrambi e a Praia dos Carneiros intactas, o ambiente é bem familiar. A comida também: frutos do mar com leite de coco são do dia a dia no Nordeste, assim como mangas e abacaxis, macaxeira (mandioca ou aipim, pros do Sul/Sudeste) e batata doce. Tem também muita água de coco pra amenizar o calor. Vou publicar umas fotos que achei na internet pra vocês verem como o Timor é bonito!

                                                      O Timor Leste mundo


divisões administrativas do Timor Leste


vista aérea de Díli



Praia em Baucau


casa do presidente



artesanato em prata


 tecidos típicos, chamados TAIS

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Preparativos para viagem

Preparar uma viagem dessa dá trabalho.  Pra ir pro Timor tem que tomar um mundo de vacina: febre amarela, tétano, hepatite A e B, gripe H1N1, tríplice, poliomielite... Hoje (quer dizer, ontem, pois estou escrevendo sobre o dia 4) fui ao posto de saúde tomar as vacinas e me mandaram para o Ambulatório do Viajante, no Hospital Regional da Asa Norte. Lá, me pediram um documento que provasse a minha necessidade de tomar essas vacinas, já que várias delas não fazem parte da rotina da saúde pública, nem de campanhas de vacinação.  Lá fui eu buscar o documento e trazer de volta, para poder tomas as vacinas que eu ainda não tinha: poliomielite, tifo e hepatite A. A de tifo me deixou 'contundida', mal posso mexer o braço. Pra piorar, me proibiram de malhar DOIS dias, me deixando sem a minha vávula de escape, tão necessária num momento desses... E ainda tive que ir à academia, mas pra pedir o cancelamento do plano e contar pro povo que vou pro outro lado do mundo.  Assim, a manhã voou - e eu saí de casa às 8:30!

Tenho que levar um mosquiteiro e, aqui em Brasília, isso só se acha em loja de pescador ou de esporte de aventura. No país do Pará, e no do Amazonas também, a gente vai pro mercado e compra bem baratinho, um mosquiteiro dos que os locais usam, que RESOLVE, porque lá os mosquitos usam pintura de guerra! Vou levar também minha capa de chuva de ir a campo, que mais parece uma burca de plástico, porque vou chegar na temporada das monções, um  aguaceiro tropical que desaba sem refrescar. Lá tem muita malária, usar mangas e pernas compridas é medida profilática. Além disso,  o povo é católico e conservador,  braços e pernas à mostra são considerados coisa de prostituta e as mulheres tomam banho de mar vestidas. Pra eles, existe sim, muito pecado ao sul do equador! Não observar isso pode colocar a gente em situações constrangedoras ou mesmo perigosas. Em terra de sapo, de cócoras com ele. Os shorts e biquinis vão ficar aqui, guardados junto com vestidos curtos, decotes, saltos altos, casacos e botas. Vou ter que aprender a me vestir para NÃO ficar atraente...

No Banco do Brasil, ninguém soube me informar como faço pra usar minha conta lá no Timor... nem como faço pra movimentar dinheiro da conta delá pra de cá sem ter que gastar uma fortuna em impostos e tarifas. Vou ter que descobrir sozinha.

Minha mãe e irmã vêm ajudar com o 'bota fora', GRAÇAS A DEUS!!!!!!!!!!!!! Chegam dia 12, pra me ajudar a fazer a mudança e, principalmente, me dar apoio moral. Ainda bem que tenho a sorte de ter uma família tão amorosa!

Pra completar, perdi o celular saindo do show do Paulinho da Viola que fui hoje. Amanhã cedo estou resolvendo mais essa - além de ir pegar vários exames para preencher um formulário imenso e detalhadíssimo para a ONU, sobre meu estado de saúde. Eles têm que me 'devolver' do jeito que estão levando - cheia de saúde pra gastar!  Ao fim dessa fase, a ONU vai definir o roteiro da viagem.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Vou para o Timor Leste!!!

Depois de 11 anos em Brasilia, eu estava precisando mudar de vida, 'sacudir a árvore'. Entre outras coisas que fiz no sentido de promover mudanças importantes - concurso, buscar trabalho em outras cidades, além de Brasilia - me inscrevi numa vaga para Electoral Officer na Costa do Marfim, que está em situação de pós-conflito. Lá houve eleições, mas os derrotados não quiseram aceitar o resultado e foram pro confronto. Escolhi este país porque preciso aprender francês direito e na Africa tem excelentes oportunidades para trabalhar com conservação e uso sustentável das florestas tropicais. Dias depois recebo um email da ONU dizendo que fui pre-selecionada, não para ir para a Costa do Marfim, mas sim para o Timor Leste, uma ex-colônia portuguesa, meia ilha entre a Indonésia e a Austrália, que tornou-se independente depois de 25 anos de ocupação indonésia e tem lutado para se construir como nação independente. Fiz duas entrevistas e continuei no processo seletivo até me informarem que eu estava sim, selecionada para o posto. Assim, no espaço de dois meses. Considerando que, no Brasil, o ano só começa depois do carnaval, abraço a oportunidade. Mais que abraçar, estou me jogando, de cabeça!

Estou em plena preparação: mandei cópias de documentos, verifiquei as vacinas, estou fazendo exames médicos e amanhã começo as providências para deixar a vida pessoal/profissional/financeira organizada para os seis meses de ausência do Brasil: suspensão ou cancelamento de alguns serviços, mudança e entrega do apartamento, procuração para alguém da família tomar posse no meu lugar caso o concurso traga bons resultados, etc, etc. Muito o que fazer!! E tudo até o dia 17, porque no dia 18 de janeiro, começa a minha jornada.

Os cursos de segurança em campo da ONU, que a gente faz online, me deram a certeza de que ir um país pós-conflito, como é o Timor, não é um passeio: além das imensas diferenças culturais, há problemas de infraestrutura e serviços públicos, abastecimento, população deslocada, comunicação. O treinamento é concebido para o pior dos cenários - como agir em um campo minado, por exemplo - mas isso não quer dizer que é isso que vou encontrar. Vou encontrar um país pobre, em reconstrução, mas em paz, tratando das suas feridas, feito de um povo que resistiu bravamente à ocupação, tem orgulho das suas conquistas e uma idéia de futuro em mente. Devo ir para o interior, encontrar um lugar parecido com o que era Fernando de Noronha há 20 anos atrás, quando conheci a ilha: com trilhas de cabrito e habitações precárias, abastecimento dágua idem, onde só se podia comprar qualquer coisa se chegasse navio trazendo tudo do continente, senão seu dinheiro era inútil. Tomava-se água da chuva, coletada num balde lavado e coberto por um pano de pratos e tomava-se banho 'de cuia', derramando a caneca na cabeça porque a água (cor de chá) não chegava com força para subir para o chuveiro. Mesmo com toda precariedade, era ótimo, e agora vai ser também!