quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

muito trabalho!!

O blog passou uma semana sem publicações porque eu não tive sequer fim de semana! Trabalhei sábado e domingo, direto... Essa semana foi assinado o Pacto Nacional por Eleições Pacificas, com uma cerimônia cujas fotos anexo aqui. Os chefes tribais da última postagem também estiveram presentes, e confirmaram o prognostico de conflitos na eleição.

Democracia também se aprende! Na eleição passada o conflito aconteceu porque o povo daqui não entendeu porque o candidato mais votado não levou. Isso porque aqui, como no Brasil tem segundo turno e o povo daqui, que nunca havia votado antes, não entendia isso.  O candidato mais votado no primeiro turno da eleição passada foi o comandante do Exercito de Libertação Nacional, Francisco Guterres, com codinome Lu Olo, que em tempos de paz, se tornou deputado. O presidente atual, Ramos Horta, é também chamado de 'o diplomata' porque a ele coube angariar apoio da comunidade internacional para a independência do Timor Leste. Assim, com papeis diferentes e importância equivalente, um ficou aqui, roendo o osso de uma dura resistência, comandando a guerrilha que combatia as forças invasoras, enquanto o outro andava pelo mundo. O exército em peso apoiava o primeiro e não se conformou com o resultado. Foi preciso um acordo dos dois no segundo turno para que o diplomata se tornasse presidente.

A campanha eleitoral aqui é muito pobre, pois o país é muito pobre. O material é pouco e minguado, só são quinze dias de campanha e o jeito é fazer corpo a corpo. Parte do meu trabalho é ir a eventos da campanha para verificar se tudo ocorre dentro da lei e da ordem, como também fazer participar de eventos como o treinamento das pessoas que vão trabalhar na eleição e educação cívica para os eleitores. Outra imensa diferença é que aqui o financiamento de campanha é muito pouco regulamentado. Num país onde não tem sistema financeiro, isso pode gerar muito desvio de dinheiro, já que todos os pagamentos serão, necessariamente, feitos em dinheiro vivo! Vamos ver no que dá

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

MALAI BULAK E A SORTE DE UM POVO NAS TRIPAS DE UM PORCO





Dois dias depois da última postagem, aprendi duas palavras tetum (a língua local)  malai bulak ou ‘gringa maluca’. Depois de passar um dia dirigindo, sem nenhum incidente, em estradas mais adequadas ao trânsito de jumentos que ao de veículos motorizados, eu estava aqui em Dili, a 300m da cidadela da ONU, dirigindo o micro-ônibus de 14 lugares que nos coube para o trabalho e uso pessoal e, quando fui manobrar pra fazer o retorno, atolei o carro num mini-pântano; um lamaçal insidiosamente coberto por uma grama alta e viçosa. Primeiro, um pneu e depois, graças à ‘ajuda’ recebida, o outro... Liguei para o socorro mecânico da ONU, e debaixo de um sol inclemente e um poeirão dos infernos, esperei pelo socorro. Em 15 min chega um caminhão gigantesco, com 4 caras, dirigido por um indiano que fumava um cigarro mágico – não acabava nem caía do canto da boca! Ele me mandou parar o trânsito para o caminhão poder rebocar o micro-ônibus para fora do atoleiro sem derrubar o poste. Lá fui eu, descaradamente malai (gringa), para o meio da rua, parar as microlets (as vans de transporte coletivo locais, dignas de uma postagem à parte). Mico não, gorila mesmo; fiquei lá, no meio da rua, feito manobrista de avião, balançando os braços e berrando pára! Parei o trânsito e só ouvi o povo falando ‘malai bulak!!’
Eu sou uma gringa maluca, mas quem leva fé nas tripas de um porco são eles! Vou começar do começo: já contei aqui que o Timor Leste está engatinhando na construção da democracia e as eleições de 2007, organizadas e realizadas pela ONU, foram seguidas por um violento conflito entre a polícia e as forças armadas, descontentes com o resultado. Contei também que o conflito foi contido pela Guarda Nacional Republicana - GNR, força policial portuguesa, famosa lá e cá pela truculência, bastante temida pelos arruaceiros timorenses. Para prevenir novas ocorrências, agora que são os timorenses que organizam a eleição, sob a monitoria da ONU, o governo local articulou, com todas as facções políticas locais, o Pacto Nacional por uma Eleição Pacífica. Faz parte do Pacto a realização de uma cerimônia, de caráter animista, por chefes tribais locais, que tocam tambores, entoam cânticos e sacrificam animais (dessa vez, algumas galinhas e um porco), cujo sangue é recolhido em um coco e bebido por todos os candidatos (ou seus representantes). Antes de oferecer o sangue aos políticos, os chefes leram a sorte nas tripas do porco, ‘prevendo’ que a eleição não vai ser muito pacífica, não...



Profecia que já se cumpre: ontem de madrugada foram jogados coquetéis molotov no prédio do Secretariado Técnico para a Administração Eleitoral – STAE, órgão encarregado de organizar as eleições. Ninguém foi ferido e nada foi danificado, um dos coquetéis quebrou antes de queimar. Mas, isso já bastou para a ONU chamar a equipe para uma reunião de urgência e reforçar as recomendações de segurança, além de por a GNR a postos. Hoje, teve uma procissão na avenida da praia, onde fica o escritório da equipe de suporte eleitoral da ONU, que me fez trabalhar recordando os hinos religiosos do colégio de freiras da minha infância. Saí de lá assim que a procissão e a chuva passaram. O trânsito estava pior que o normal, mas tudo me pareceu bem. Fiquei aqui no hotel, quietinha no meu quarto, onde jantei sozinha, vendo TV australiana. Soube mais tarde que a procissão terminou em pancadaria, com pedras voando pelos ares e todo mundo apavorado! Meu anjo da guarda me sobrevoou hoje! Para que ele continue me guardando, vou continuar bem comportada, saindo à rua apenas com o grupo. Quando eu voltar pro Brasil, tiro o atraso e caio na farra!! Me aguardem.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

circulando por aqui

Hoje fui conhecer os arredores de Dili. Como fui alocada para o distrito eleitoral da capital, começamos as nossas atividades conhecendo o nosso terreno. Aqui, o distrito se divide em subdistritos que, por sua vez, se dividem em aldeias, denominadas "sucos". Assim, passei o dia rodando a 'região metropolitana" de Dili, se é que dá pra chamar assim. Como o Timor é um país cortado por uma cadeia de montanhas, a cidade é cercada por elas, que estão à pequena distância do mar.

A ONU nos dá carros 4 x 4 para a gente circular e logo se entende porque. As estradas são uma experiência verdadeiramente transcendental: serpenteiam estreitas montanha acima, com mais buracos que asfalto (onde este se faz presente) e estão sempre à beira do abismo. Logo a gente entende também porque o limite de velocidade é tão baixo: 35km por hora na cidade, 60km fora da cidade. Tem horas que só dá pra dirigir mesmo na segunda marcha e, apesar da vista belissima que se tem de lá de cima, cada vez que eu tentava virar o globo ocular, ouvia meu colega dizendo "olha pra frente'!! E eu  acostumada a dirigir meu pequeno Uno pelas largas vias expressas de Brasília,  aqui estou enfrentando galhardamente vias dignas de um rallie, em um carro duas vezes maior que as mesmas,  guiado à inglesa, do lado direito. Como o ser humano é adaptável!!

Depos do trânsito caótico de Dili, onde não se segue nenhumazinha sequer das regras de trânsito que todos aprendemos, começo a achar que o tráfego das cidades brasileiras não é tão mau assim. Se for voltar pra Recife, vou me sentir muito mais à vontade para dirigir depois desse 'estágio' aqui. Nada melhora  mais a perspectiva da gente do que 'um bode na sala'!

sábado, 11 de fevereiro de 2012

nossas atribuições nas eleições timorenses

Esta semana, finalmente, soubemos quais as nossas atribuições nas eleições timorenses. Estas serão as primeiras eleições a serem organizadas pelo governo do Timor Leste após a confirmação da independência, pois as anteriores foram organizadas pela ONU. Desta vez, a ONU só monitora a preparação, a realização,a contagem dos votos e a divulgação do resultado. A nossa função, portanto, será a de observar e relatar como as autoridades timorenses trabalham. Não vamos tomar a frente. Só devemos opinar quando a nossa opinião for solicitada e, mesmo assim, com muito jeito. Vamos dividir as nossas atenções em quatro eixos: registro dos eleitores, educação cívica, logistica e monitoramento. Eu sou parte da equipe que vai monitorar o trabalho da Comissão Nacional de Eleições´- CNE, órgão com atribuições análogas às do nosso Superior Tribunal Eleitoral, mas de natureza administrativa.

Soubemos também onde realizaremos nossas funções. Para minha surpresa, fiquei alocada para o distrito de Dili, que compreende a capital e seu entorno. Assim, fico na capital, ao invés de me jogar no Timor profundo, junto com os outros brasileiros, igualmente surpreendidos pela decisão da Equipe de Apoio Eleitoral da ONU. Eu vim do Brasil contando como certo o fato de ir para o interior do país, por isso trouxe um kit médico de primeirissima linha, preparado com competência e muito amor pela minha zelosa irmã (que é médica e dirige um hospital), roupas de 'apagar fogo' e um mosquiteiro; ao invés dos femininos e elegantes vestidos e saltos que uso na Esplanada dos Ministérios e no Congresso Nacional, em Brasília.

A vida aqui no interior é bem precária, por isso muita gente queria ficar em Dili, já que, apesar de não ser nenhuma metrópole, é a capital, sempre tem mais do lazer a que estamos todos acostumados - além de água encanada e eletricidade 24h por dia. Eu já tinha escrito aqui sobre alguns membros do grupo que mostraram "seu valor" durante a realização de uma atividade. Pois a distribuição das atribuições e locais de trabalho desencadeou várias outras demonstrações do mesmo "valor": sobrou gente tola o suficiente para receber a notícia de que irão para o interior - o que era por todos esperado - como um insulto pessoal que lhes fazem os que ficarão aqui! Como sói acontecer aos pobres de espírito, o "insulto pessoal" gerou muuuita cizânia: somos agora a 'máfia brasileira' !! Tudo o que posso fazer por gente tão 'valorosa', é oferecer a minha colaboração para que partam em breve, façam ótima viagem, e tenham todo sucesso e felicidade - por lá...

Em nenhum momento manifestei à equipe da ONU alguma preferência por local ou atividade; vim pra cá trabalhar, não fazer turismo, por isso vim disposta a aceitar as atribuições que me designassem, e ir para onde me mandassem. Simples assim. Por isso, considero de bom senso a decisão de deixar junto ao cérebro do processo eleitoral timorense uma advogada com mais de vinte anos de atuação profissional; que vivenciou ativamente a construção de uma das maiores democracias do mundo, além de ser nascida e criada numa familia que, como as famílias timorenses, sentiu na pele os horrores de um Estado de exceção. Tudo o que fiz foi contar-lhes a minha história!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Página infeliz da história timorense

Eu havia sugerido aos colegas aqui um programa cultural, já que a gente só tem saído para comer. A proposta foi uma visita ao museu da Comissão de Acolhimento, Verdade e Conciliação - CAVR, criada para apurar e registrar as violações aos direitos humanos no período de 1974 - 1999, facilitar a reconciliação comunitária para os crimes menos graves, fazer relatórios do trabalho, apresentar conclusões e fazer recomendações.  A CAVR  produziu um relatório de 2 800 páginas, denominado Chega! Como já contei aqui, a Indonésia invadiu o país e o dominou durante 25 anos, com mão de ferro, até que a independência fosse confirmada através de consulta popular em 1999. Foi um periodo de terror, com sistemáticas violações dos direitos humanos dos timorenses. Parlamentares alemães, em visita ao país, relataram que "a ilha inteira parece uma prisão, ninguém sorri." E hoje, o povo timorense é tão sorridente...

O museu da CAVR funciona numa antiga prisão da época da opressão indonésia. É como se os porões da ditadura brasileira fossem abertos à visitação pública, com fotos e relatos das vitimas. Emocionante o relato de uma senhora que teceu em seu tais (aquele tecido colorido que se usa aqui ao redor da cintura) os nomes dos mortos em um massacre, para não se esquecer deles. Os mais chocantes são os relatos das mulheres e crianças. Estupro era arma de guerra, usada sistematicamente, tanto para aterrorizar as comunidades quanto para punir as que aderiam à guerrilha de resistência. Numa sociedade tão machista quanto a timorense, as mulheres sofriam multiplamente: sistematicamente estupradas pelos soldados, eram  frequentemente renegadas por suas familias e maridos, e tinham que criar os filhos que resultavam dos estupros - que também eras discriminados. As crianças, principalmente as meninas, eram sequestradas pelos soldados indonésios para aterrorizar suas familias. Diziam que as levariam para a escola, mas as levavam para trabalhar pra eles. No caso das meninas ainda tinha a escravidão sexual. Para piorar, os invasores destruiam plantações, envenenavam depósitos de água e comida, obrigavam as comunidades a sair de suas terras, jogavam napalm para destruir as florestas que abrigavam os guerrileiros da resistência.

Uma das 'alas' do museu tem nome autoexplicativo - celas da morte: celas de 2,5m², com frestas ou sem nenhuma abertura, escuras como breu, para funcionarem como solitárias ou como lugares de tortura. Na entrada, o retrato da atrocidade: uma foto de uma mulher seminua, com olhos vendados e deitada no chão, toda machucada das torturas e sendo pisada pelas botas dos soldados. Vê-se que puseram uma calcinha na moça para a foto, pois a peça está imaculadamente limpa, enquato a moça está cheia de feridas. O pudor de vestir-lhe uma calcinha nos parece ainda mais falso, hipócrita e descabido, diante de tanta ruindade. Pensar que o sujeito que passou o dia fazendo aquilo volta pra casa, abraça a familia e dorme, como se tivesse estado a escrever relatórios! Triste é saber que a resistência também foi cruel, embora em escala muito menor.

Sei que eu chorei do instante em que entrei até a hora de sair, soluçava tanto que não conseguia nem falar. Meus colegas também ficaram abalados, um deles tremia da cabeça aos pés, os outros cabisbaixos e pensativos...  Essa página da história timorense foi terrível demais para cair no esquecimento, precisa ser conhecida, por mais que abale as emoções da gente. Só assim ela não se repete.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

enquanto a eleição não vem

Passamos três dias sem internet - o fim de semana inteiro, desde a sexta até agora. Ainda não sabemos quando, exatamente, vamos para o interior, nem para onde. Sei que lá, vai ser mais precário que aqui.Só isso. Sei também que vamos dividir as instalações com a UNPOL (policia da ONU) que hoje só tem função de monitoria. Mais importante do que pra onde se vai, é com quem: afinal, não vamos apenas trabalhar jntos, devemos morar juntos também. E tem gente que já mostrou seu 'valor': falta de profissionalismo, desrespeito aos procedimentos de segurança e às regras em geral, incapacidade de aceitar sugestões, incapacidade de, simplesmente ouvir. É lamentável, porque aqui não há moleques, a média de idade é de 35 anos, portanto é de se esperar outro tipo de comportamento das pessoas. Estamos aqui para trabalhar!

É fácil esquecer disso quando a gente está num quarto de hotel e sai com os colegas toda noite pra jantar, no fim de semana vai pra praia e, de noite tem uma festa cheia de meninos bonitos cercando a gente, como foi a de sábado, num bar da praia, onde os garotões sarados da Guarda Nacional Republicana, (força de elite portuguesa que amansou a contenda entre exercito e policia timorenses que se seguiu à eleição de 2007) estavam  curtindo uma noite fora do quartel. Mas, basta sair da festa que a gente tem um lembrete de que estamos num país pós-guerra: moleques timorenses jogavam pedras nos carros da ONU. Vem daí a determinação pra gente não dirigir de vidro aberto - que não é nenhum sacrificio de seguir, já que aqui faz um calor opressivo e o carro tem ar condicionado. Ainda bem que eram pedrinhas, não paralelepípedos, e ninguém se machucou.

Conheci, logo que cheguei, uns policias militares de Brasilia que já estão aqui há anos, e eles empre falam que a gente não se deixe enganar pela aparência de calma, que aqui basta uma faísca e o país explode. Sei que estou 'andando na faixa' pois seguro morreu de velho e desconfiado ainda vive. Aprendi há anos atrás que procedimento de segurança a gente cumpre primeiro e questiona depois. uem não for capaz de entender isso não arrisca apenas a si, mas a quem está por perto também. O pior é que gente assim vai de encontro aos problemas, mas depois fica esperando que alguém vá la buscar. Sei que euzinha não vou me expor só por causa da prepotência alheia.

Estou querendo ir logo pro interior, porque  quero um canto pra chamar de meu e estabelecer uma rotina. Ai que saudade da minha malhação, até sonhei com ela... Preciso voltar a cozinhar, porque a comida aqui está batendo na trave: o que não é muito frito é muito apimentado, passei a noite com dor de estômago, parece que engoli os alfinetes de costura!































quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

eleições no Timor - mulheres no poder

As eleições que vamos monitorar serão as presidenciais, no dia 17 de março. Tivemos hoje treinamento sobre a história do Timor e sobre o sistema eleitoral local. Reza a lenda que um crocodilo trouxe um homem que queria ser livre para a terra onde nasce o sol e, quando chegou, foi dormir. Esse crocodilo é o Timor Leste e não pode acordar, pois se isso acontecer, virão guerras, terremotos, tsunamis, vulcões entrarão em erupção, etc. Deixando as lendas e voltando à vida real, os portugueses vieram no seculo XVII e colocaram um marco onde ainda hoje se lê: também aqui é Portugal. Fica em Oecussi, um enclave Leste Timorense no Timor Oeste - que é parte da Indonésia. Como em todo lugar, disputaram o território com os holandeses. Fizeram daqui um lugar de degredo, de tal forma que não precisava de prisão, pois o litoral da ilha é infestado de crocodilos e só passava uma nau a cada seis meses... O Timor Leste perdeu 40 mil habitantes na II Guerra, pois a Austrália invadiu a ilha em 1941 e o Japão em 1943.

A independência veio com a Revolução dos Cravos, mas só durou dez dias. Foi reconhecida por China, Vietnã, União Soviética e Cuba mas, bastou o Premio Nobel da Paz Henry Kissinger visitar a vizinha Indonésia que esta invadiu o Timor, ajudando os americanos a conter o temor de uma nova Cuba no Sudeste Asiático. Depois de 25 anos de guerrilha, resistência e um massacre filmado e divulgado por um jornalista australiano, a comunidade internacional resolveu dar uma força. Houve uma consulta popular e o povo pediu independência. De vingança, a Indonésia bombardeou toda a infra-estrutura que tinha colocado...

O interessante do sistema eleitoral daqui - que parece um pouco com o do Brasil e o de Portugal - é que a cada três candidatos, um tem que ser mulher. E não há chance de driblar, porque a lista dos candidatos tem que ser feita com um nome de mulher a cada dois de homens. Não tem como deixar as mulheres no fim da fila, com risco de perder a vaga, desistir, ou qualquer casuísmo para excluí-las. Se não tiver uma mulher a cada 3 candidatos, a lista é recusada, tantas vezes quantas seja preciso para cumprir a regra. Claro que ainda tem mulher que participa do jeito que o marido ou a familia manda, mas tem muitas que exercem a função com louvor. A Igreja Católica tem papel reconhecido pela Constituição, pois ajudou muito na independência, apesar de hoje contribuir para o atraso das mulheres: em terra onde há natalidade média de SETE filhos por mulher, a Igreja insiste em criticar o uso de qualquer anticoncepcional, inclusive preservativos, e afirma que as mulheres têm mais o que fazer que se meter em política. Sei que, mesmo tão ocupadas em criar essa renca de menino, as mulheres daqui não abrem mão da ativa participação política. Há ex-guerrilheiras no parlamento e, como boa combatentes, elas bem sabem porque lutaram, mostram seu valor. Vi num filme da ONU sobre a restauração da paz os guerrilheiros entregando as armas aos boinas azuis: as guerrilheiras, miúdas e magrinhas, traziam numa mão, um filho, e na outra, seu fuzil! Ê mulherio valente!!!