A independência veio com a Revolução dos Cravos, mas só durou dez dias. Foi reconhecida por China, Vietnã, União Soviética e Cuba mas, bastou o Premio Nobel da Paz Henry Kissinger visitar a vizinha Indonésia que esta invadiu o Timor, ajudando os americanos a conter o temor de uma nova Cuba no Sudeste Asiático. Depois de 25 anos de guerrilha, resistência e um massacre filmado e divulgado por um jornalista australiano, a comunidade internacional resolveu dar uma força. Houve uma consulta popular e o povo pediu independência. De vingança, a Indonésia bombardeou toda a infra-estrutura que tinha colocado...
O interessante do sistema eleitoral daqui - que parece um pouco com o do Brasil e o de Portugal - é que a cada três candidatos, um tem que ser mulher. E não há chance de driblar, porque a lista dos candidatos tem que ser feita com um nome de mulher a cada dois de homens. Não tem como deixar as mulheres no fim da fila, com risco de perder a vaga, desistir, ou qualquer casuísmo para excluí-las. Se não tiver uma mulher a cada 3 candidatos, a lista é recusada, tantas vezes quantas seja preciso para cumprir a regra. Claro que ainda tem mulher que participa do jeito que o marido ou a familia manda, mas tem muitas que exercem a função com louvor. A Igreja Católica tem papel reconhecido pela Constituição, pois ajudou muito na independência, apesar de hoje contribuir para o atraso das mulheres: em terra onde há natalidade média de SETE filhos por mulher, a Igreja insiste em criticar o uso de qualquer anticoncepcional, inclusive preservativos, e afirma que as mulheres têm mais o que fazer que se meter em política. Sei que, mesmo tão ocupadas em criar essa renca de menino, as mulheres daqui não abrem mão da ativa participação política. Há ex-guerrilheiras no parlamento e, como boa combatentes, elas bem sabem porque lutaram, mostram seu valor. Vi num filme da ONU sobre a restauração da paz os guerrilheiros entregando as armas aos boinas azuis: as guerrilheiras, miúdas e magrinhas, traziam numa mão, um filho, e na outra, seu fuzil! Ê mulherio valente!!!
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