sábado, 11 de fevereiro de 2012

nossas atribuições nas eleições timorenses

Esta semana, finalmente, soubemos quais as nossas atribuições nas eleições timorenses. Estas serão as primeiras eleições a serem organizadas pelo governo do Timor Leste após a confirmação da independência, pois as anteriores foram organizadas pela ONU. Desta vez, a ONU só monitora a preparação, a realização,a contagem dos votos e a divulgação do resultado. A nossa função, portanto, será a de observar e relatar como as autoridades timorenses trabalham. Não vamos tomar a frente. Só devemos opinar quando a nossa opinião for solicitada e, mesmo assim, com muito jeito. Vamos dividir as nossas atenções em quatro eixos: registro dos eleitores, educação cívica, logistica e monitoramento. Eu sou parte da equipe que vai monitorar o trabalho da Comissão Nacional de Eleições´- CNE, órgão com atribuições análogas às do nosso Superior Tribunal Eleitoral, mas de natureza administrativa.

Soubemos também onde realizaremos nossas funções. Para minha surpresa, fiquei alocada para o distrito de Dili, que compreende a capital e seu entorno. Assim, fico na capital, ao invés de me jogar no Timor profundo, junto com os outros brasileiros, igualmente surpreendidos pela decisão da Equipe de Apoio Eleitoral da ONU. Eu vim do Brasil contando como certo o fato de ir para o interior do país, por isso trouxe um kit médico de primeirissima linha, preparado com competência e muito amor pela minha zelosa irmã (que é médica e dirige um hospital), roupas de 'apagar fogo' e um mosquiteiro; ao invés dos femininos e elegantes vestidos e saltos que uso na Esplanada dos Ministérios e no Congresso Nacional, em Brasília.

A vida aqui no interior é bem precária, por isso muita gente queria ficar em Dili, já que, apesar de não ser nenhuma metrópole, é a capital, sempre tem mais do lazer a que estamos todos acostumados - além de água encanada e eletricidade 24h por dia. Eu já tinha escrito aqui sobre alguns membros do grupo que mostraram "seu valor" durante a realização de uma atividade. Pois a distribuição das atribuições e locais de trabalho desencadeou várias outras demonstrações do mesmo "valor": sobrou gente tola o suficiente para receber a notícia de que irão para o interior - o que era por todos esperado - como um insulto pessoal que lhes fazem os que ficarão aqui! Como sói acontecer aos pobres de espírito, o "insulto pessoal" gerou muuuita cizânia: somos agora a 'máfia brasileira' !! Tudo o que posso fazer por gente tão 'valorosa', é oferecer a minha colaboração para que partam em breve, façam ótima viagem, e tenham todo sucesso e felicidade - por lá...

Em nenhum momento manifestei à equipe da ONU alguma preferência por local ou atividade; vim pra cá trabalhar, não fazer turismo, por isso vim disposta a aceitar as atribuições que me designassem, e ir para onde me mandassem. Simples assim. Por isso, considero de bom senso a decisão de deixar junto ao cérebro do processo eleitoral timorense uma advogada com mais de vinte anos de atuação profissional; que vivenciou ativamente a construção de uma das maiores democracias do mundo, além de ser nascida e criada numa familia que, como as famílias timorenses, sentiu na pele os horrores de um Estado de exceção. Tudo o que fiz foi contar-lhes a minha história!

Um comentário:

  1. Ludmila, que bom que vais ficar por Dili! Nada mal, pelo menos não teremos (tantos) problemas em nos comunicar...

    Beijos!

    André Ramos

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