Depois de 11 anos em Brasilia, eu estava precisando mudar de vida, 'sacudir a árvore'. Entre outras coisas que fiz no sentido de promover mudanças importantes - concurso, buscar trabalho em outras cidades, além de Brasilia - me inscrevi numa vaga para Electoral Officer na Costa do Marfim, que está em situação de pós-conflito. Lá houve eleições, mas os derrotados não quiseram aceitar o resultado e foram pro confronto. Escolhi este país porque preciso aprender francês direito e na Africa tem excelentes oportunidades para trabalhar com conservação e uso sustentável das florestas tropicais. Dias depois recebo um email da ONU dizendo que fui pre-selecionada, não para ir para a Costa do Marfim, mas sim para o Timor Leste, uma ex-colônia portuguesa, meia ilha entre a Indonésia e a Austrália, que tornou-se independente depois de 25 anos de ocupação indonésia e tem lutado para se construir como nação independente. Fiz duas entrevistas e continuei no processo seletivo até me informarem que eu estava sim, selecionada para o posto. Assim, no espaço de dois meses. Considerando que, no Brasil, o ano só começa depois do carnaval, abraço a oportunidade. Mais que abraçar, estou me jogando, de cabeça!
Estou em plena preparação: mandei cópias de documentos, verifiquei as vacinas, estou fazendo exames médicos e amanhã começo as providências para deixar a vida pessoal/profissional/financeira organizada para os seis meses de ausência do Brasil: suspensão ou cancelamento de alguns serviços, mudança e entrega do apartamento, procuração para alguém da família tomar posse no meu lugar caso o concurso traga bons resultados, etc, etc. Muito o que fazer!! E tudo até o dia 17, porque no dia 18 de janeiro, começa a minha jornada.
Os cursos de segurança em campo da ONU, que a gente faz online, me deram a certeza de que ir um país pós-conflito, como é o Timor, não é um passeio: além das imensas diferenças culturais, há problemas de infraestrutura e serviços públicos, abastecimento, população deslocada, comunicação. O treinamento é concebido para o pior dos cenários - como agir em um campo minado, por exemplo - mas isso não quer dizer que é isso que vou encontrar. Vou encontrar um país pobre, em reconstrução, mas em paz, tratando das suas feridas, feito de um povo que resistiu bravamente à ocupação, tem orgulho das suas conquistas e uma idéia de futuro em mente. Devo ir para o interior, encontrar um lugar parecido com o que era Fernando de Noronha há 20 anos atrás, quando conheci a ilha: com trilhas de cabrito e habitações precárias, abastecimento dágua idem, onde só se podia comprar qualquer coisa se chegasse navio trazendo tudo do continente, senão seu dinheiro era inútil. Tomava-se água da chuva, coletada num balde lavado e coberto por um pano de pratos e tomava-se banho 'de cuia', derramando a caneca na cabeça porque a água (cor de chá) não chegava com força para subir para o chuveiro. Mesmo com toda precariedade, era ótimo, e agora vai ser também!
Parabéns pela iniciativa e coragem!!
ResponderExcluir(Tenho um blog que se chama Um país chamado Libia Amaral, passa lá depois: www.libiamaral.blogspot.com )
Lu! Amiga! Que notícia legal! Poxa, e eu aqui no Rio tentando passar nessa caceta desse concurso para o Itamaraty prá ver se te encontro em algum lugar do planeta!!!!hahahaha! Queridona, te desejo muita força, saúde, alegrias, tudo de bom mesmo! Queria poder ir junto!!! Vai ser uma baita aventura! Keep in touch! Mila
ResponderExcluirQue bom querida!!! Espero que essa experiência te traga muitos frutos ok...
ResponderExcluirDeus abençoe a sua ida e também a sua volta...
Não esqueça de noticiar suas aventuras e as suas experiências blz...
Estaremos aqui torcendo para que tudo ande bem com você...
Um grande abraço e sucesso!!!